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Óbito/Lourdes Castro: um nome “insubstituível na história de arte”, diz Ministra da Cultura – Showbiz


A vida e obra de Lourdes Castro, “em permanente diálogo e complemento”, representam, para Graça Fonseca, “um contributo incontestável para a cultura portuguesa e ocupam um espaço insubstituível na história de arte, tanto portuguesa, quanto mundial”.

Graça Fonseca recorda o percurso artístico da artista, sublinhando que, manifestou “desde muito cedo aquelas que seriam as suas características mais evidentes: uma abordagem multifacetada, não conforme, inovadora, com recurso a técnicas e processos muito próprios e que mostram a sua profunda sensibilidade face à impermanência e a atenção particular com que o seu olhar artístico se relaciona com o mundo”.

“Em 1957, juntamente com René Bertholo, Costa Pinheiro e outros artistas jovens partiu para Munique, tendo-se fixado, no ano seguinte, em Paris, onde participou na fundação da revista ‘KWY’ (1958-1963), publicação que reuniu um conjunto heterogéneo de artistas e que representou um momento fulcral para a internacionalização das artes plásticas portuguesas, com a adoção de novas técnicas e linguagens que agitaram e mudaram significativamente o panorama artístico nacional”.

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Graça Fonseca recorda igualmente que a obra de Lourdes Castro está “amplamente representada em grandes coleções de arte mundiais, nacionais e estrangeiras, públicas e privadas, como o Victoria and Albert Museum, de Londres, o Museu de Arte Contemporânea de Belgrado, a Coleção de Arte Contemporânea do Estado [português], a Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea e o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian”.

“Lourdes Castro construiu, com as suas inconfundíveis sombras e os seus livros de artista, algumas das peças mais emblemáticas e imediatamente reconhecíveis da arte contemporânea portuguesa”, reconhece a ministra da Cultura.

Paralelamente ao seu trabalho artístico, Graça Fonseca sublinha também “a relevância cultural, histórica e documental do trabalho arquivista [de Lourdes Castro], que cuida dos documentos, das obras, das fotos, da correspondência com tantos artistas, críticos, curadores, agentes da cultura mundial desde os anos 50 até hoje, e que representam um outro testemunho do seu percurso e do seu impacto”.

“Esta forma de preservar a vida e o quotidiano foram também obras maiores de uma artista que nunca deixou de dar atenção ao aqui e agora”, reforça a ministra, que recorda ter sido Lourdes Castro distinguida, em dezembro de 2020, “com a Medalha de Mérito Cultural, num gesto do Governo português que veio fazer justiça e dar forma pública a uma homenagem há muito devido a uma artista maior da cultura portuguesa”.

“Com um perfil subtil e tímido, a obra de Lourdes Castro marcou de forma indelével a história da arte contemporânea portuguesa. Desde finais dos anos 50 e ao longo de muitas décadas, a artista perseguiu uma poética da sombra, na sua despojada dimensão estética e existencial, buscando nos seres e nos objetos que faziam parte da sua vida o auxílio necessário à tarefa infinita de reunir todas as sombras, contrastes e matizes que a inspiravam”.

“Multidisciplinar e experimentalista, do ‘objetualismo’ reciclado à materialização diáfana da sombra, Lourdes Castro deixa-nos uma obra ímpar, com um perfil cósmico que nos acompanha e acompanhará ao longo das nossas vidas”, conclui a ministra da Cultura.

Lourdes Castro nasceu a 9 de dezembro de 1930, no Funchal, ilha da Madeira, uma paisagem natural que deixou aos 20 anos para estudar em Lisboa, mas onde regressaria a partir de 1983 para viver em permanência, criando ali o seu refúgio.

A natureza era uma das suas grandes paixões, e com ela viveu uma estreita ligação que se projetou e entrelaçou profundamente no seu trabalho, nomeadamente na série “O grande herbário de sombras” (1972).

Lourdes Castro iniciou estudos no Colégio Alemão, mas, aos 20 anos, partiu em direção a Lisboa onde frequentou o curso de pintura da Escola Superior de Belas Artes (ESBAL), terminado em 1956.

Em 1958, foi-lhe atribuída uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, o que coincidiu e ajudou o início da revista, impressa à mão, em serigrafia, “KWY” (1958-1963), de título composto por três letras que não existiam, na época, no alfabeto português, em torno da qual se formou o grupo homónimo de artistas que incluía também Jan Voss, Christo Javacheff, Costa Pinheiro, Gonçalo Duarte, José Escada e João Vieira.

A sua obra foi celebrada por exposições de caráter antológico como “Lourdes de Castro e Manuel Zimbro: a Luz da Sombra”, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, em 2010, e na Fundação Calouste Gulbenkian, em 1992, intitulada “Além da Sombra”.

Em junho passado, foi condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.



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