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Festival de Cannes começou com intervenção de Zelensky – Atualidade


O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, defendeu na segunda-feira que é necessário “um novo Chaplin para provar que o cinema não é mudo” diante da guerra na Ucrânia, numa mensagem de Kiev transmitida na abertura do 75.º Festival de Cannes.

“Como naquela época, hoje está a ser travada uma batalha pela liberdade”, disse Zelesnky, em alusão ao primeiro Festival de Cannes, realizado nesta cidade do sudeste da França em 1946, um ano apenas após o fim da Segunda Guerra Mundial.

“Vamos continuar a lutar, não temos outra escolha (…) Estou convencido de que ‘o ditador’ vai perder”, declarou Zelensky perante a ‘nata’ do cinema mundial, referindo-se ao Presidente russo, Vladimir Putin, e ao filme homónimo de Charlie Chaplin (“O Grande Ditador”), que mencionou várias vezes.

A sua aparição, by way of vídeo, na sessão inaugural do certame, causou surpresa na sala e uma ovação do público, após a qual o Presidente ucraniano denunciou as atrocidades da guerra da Rússia na Ucrânia e apelou ao mundo do cinema para não se remeter ao silêncio.

“O cinema vai calar-se ou falar dela (da guerra)?”, perguntou.

“Precisamos de um novo Chaplin para nos provar hoje que o cinema não é mudo (…) O ódio acabará por desaparecer, os ditadores morrerão”, acrescentou, em tom grave.

Após o discurso, o público levantou-se para o ovacionar.

Virginie Efira, anfitriã da cerimónia de abertura

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Virginie Efira, anfitriã da cerimónia de abertura

No início de abril, Zelensky tinha já intervindo na 64.ª edição dos Grammys, os prémios norte-americanos da música, para pedir ajuda para o seu país.

O Festival de Cannes prometera que a Ucrânia estaria “nos espíritos de todos” ao anunciar, durante o mês de abril, a programação, para a qual foram selecionados vários filmes do país.

Duas gerações de cineastas ucranianos estarão representadas, com o ‘habitué’ Sergei Loznitsa, que traz “Tha Natural History of Destruction” (“A História Natural da Destruição”, em tradução livre), sobre a destruição das cidades alemãs pelos aliados durante a Segunda Guerra Mundial, e com o jovem Maksim Nakonechnyi, com “Bachennya Metelyka” (“Visões de Borboletas”), que será exibida fora de competição, na mostra paralela ‘Un Certain Regard’.

O certame adicionou à última hora a apresentação de “Mariupolis 2”, o último filme do realizador lituano Mantas Kvedaravicius, morto no início de abril na Ucrânia.

Em contrapartida, o ‘rendez-vous’ mundial do cinema recusou-se a receber “representantes oficiais russos, instituições governamentais ou jornalistas representando a linha oficial” russa, mas declarou-se sempre pronto para acolher as vozes dissidentes, a começar por Kirill Serebrennikov. O ‘enfant terrible’ do cinema russo abrirá a competição na quarta-feira com o seu novo filme “La Femme de Tchaïkovski” (“A Mulher de Tchaikovski”), candidato à Palma de Ouro.

Hoje ao fim da tarde, no início da cerimónia de abertura, apresentada pela atriz Virginie Efira, foi levantada a questão do envolvimento político do cinema: “Será que o cinema pode mudar o mundo? Não tenho a certeza. Mas pode alterar a nossa perceção dele. E, em consequência, o mundo fica realmente mudado (…) Cineastas livres – é isso que o festival de Cannes celebra”.

A guerra na Ucrânia, que entrou no 83.º dia na segunda-feira, causou já a fuga de mais de 14 milhões de pessoas de suas casas – cerca de oito milhões de deslocados internos e mais de 6,2 milhões para os países vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Também segundo as Nações Unidas, cerca de 15 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa – justificada por Putin com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e a imposição à Rússia de sanções que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A ONU confirmou hoje que 3.752 civis morreram e 4.062 ficaram feridos, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores e só serão conhecidos quando houver acesso a cidades cercadas ou a zonas até agora sob intensos combates.



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